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Inteligência nos tempos de IA: Renato Russo estava certo

Uma ilustração do cantor Renato Russo aparece ao lado de uma silhueta humana de perfil com o símbolo de Inteligência Artificial
Renato Russo escreveu que disciplina é liberdade sem conhecer o mundo da Inteligência Artificial (Foto: IA)

A canção que apenas os da minha geração vão lembrar de cabeça dizia “disciplina é liberdade…”. Sim, já em 1989, Renato Russo lançava o álbum “As Quatro Estações” abrindo com a canção “Há Tempos” em que cantava essa pérola. Hoje, pensando sobre a inteligência nos tempos de IA: Renato Russo estava certo, temos de admitir.

Uma ilustração do cantor Renato Russo aparece ao lado de uma silhueta humana de perfil com o símbolo de Inteligência Artificial
Renato Russo escreveu que disciplina é liberdade sem conhecer o mundo da Inteligência Artificial (Foto: IA)

Notas altas em português e matemática? Fazer contas de cabeça? Ter boa memória? Durante muito tempo, essas foram as medidas usadas para classificar quem era “inteligente”. Cientificamente, chamamos essas capacidades de habilidades cognitivas, que costumam ser medidas por testes de QI. Mas há uma pergunta incômoda: em tempos de IA onde qualquer smartphone realiza cálculos em nanossegundos, será que essas habilidades continuam sendo as mais valiosas?

A frase do Renato Russo remete à disciplina, mas esse é só um exemplo dessas valiosas habilidades. Minhas pesquisas em economia da educação mostram que a resposta é não. O que chamamos de competências socioemocionais — criatividade, disciplina, responsabilidade, curiosidade — têm ganhado protagonismo. Essas competências, antes vistas como “habilidades não-cognitivas”, diferem de maneira crucial das cognitivas: enquanto o QI tende a se cristalizar por volta dos 10 anos, as socioemocionais podem ser desenvolvidas até a vida adulta.

Basta ter QI alto?

Evidências abundam: pessoas com alto QI que não alcançam bons resultados profissionais ou acadêmicos justamente por falta de disciplina e motivação. Por outro lado, pessoas comuns em termos de QI alcançam carreiras brilhantes movidas por esforço e resiliência. Portanto, em tempos de IA, as habilidades cognitivas perdem ainda mais seu protagonismo frente às competências socioemocionais que são mais comportamentais.

A economia comportamental nos ensina que tomar decisões exige energia mental e que essa energia é limitada. Nosso cérebro funciona como um orçamento: quanto mais gastamos em certas tarefas, menos sobra para outras. É aqui que entram as competências socioemocionais. Ser criativo, disciplinado e responsável não é apenas uma questão de “perfil”; é também uma forma de gestão eficiente desse recurso escasso que é a atenção humana.

Uma mente indisciplinada desperdiça energia em distrações. Uma mente treinada em criatividade consegue encontrar soluções inovadoras com menos esforço. É quase como uma economia doméstica: quem administra bem seu “orçamento mental” consegue fazer mais com menos.

Profissões à prova de futuro

Muito se fala sobre empregos que desaparecem diante da automação. Minha hipótese é que os trabalhos que exigem competências socioemocionais estão entre os mais resistentes.
Afinal, algoritmos podem bater recordes de velocidade, mas ainda não sabem ser criativos, motivados ou persistentes. Essas competências já colocam os profissionais humanos em vantagem, tanto que a UNESCO as chama de “competências do século XXI”.

Inteligência, no século XXI, não é apenas resolver equações mais rápido que a calculadora. É saber onde gastar o recurso mais valioso e limitado que temos: nossa mente. Sobre a inteligência nos tempos de IA, Renato Russo estava certo. Se antes, para ele, “disciplina era liberdade”, hoje podemos dizer: disciplina é inteligência.

R. J. Dabliu é economista, professor universitário, compositor e palestrante. É autor dos livros “Mill Sentidos da Vida”, “O conto da raposa vermelha” e apresentador na série de vídeos para o YouTube, “EU NÃO LI SHAKESPEARE”.

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